Policiais civis do GOI (Grupo de Operações e Investigações) deram cumprimento, na tarde desta quinta-feira (12), a um mandado de prisão definitiva decorrente de condenação transitada em julgado, expedido pela 5ª Vara Criminal da Comarca de Campo Grande.
A prisão ocorreu no bairro Jardim Botânico II, tendo como alvo o influenciador digital Alisson Benitez Grance, conhecido nas redes sociais como “Du Mato”. De acordo com o mandado judicial, a condenação por tráfico de drogas é de 8 anos e 2 meses de reclusão, a ser cumprida em regime inicial fechado.
Após os procedimentos de praxe, o influenciador foi encaminhado à unidade policial e posteriormente será colocado à disposição do Poder Judiciário para início do cumprimento da pena.
O advogado de Alisson disse à imprensa de Campo Grande que o influenciador digital decidiu se entregar para evitar abordagem policial inesperada. Os policiais cumpriram o mandado na casa dele, no bairro Pioneiros.
Ao portal Campo Grande News, “Du Mato” afirmou, pouco antes de ser preso, que a condenação é injusta. Ele se diz alvo de perseguição.
Segundo o influenciador, a investigação que resultou na condenação teria sido construída a partir de uma única prova: uma impressão digital encontrada em uma fita adesiva usada para embalar drogas enviadas pelos Correios.
Ele afirma que a fita pode ter vindo de um lote de materiais furtados de sua loja em 2021.
Na época, o influenciador mantinha um comércio na Rua da Divisão, em Campo Grande. Em dezembro daquele ano, o local foi arrombado e, segundo ele, diversos produtos foram levados, incluindo rolos de fita adesiva.
“Arrombaram meu comércio, furtaram várias fitas adesivas e todo o dinheiro que eu tinha no caixa. No mesmo dia eu registrei boletim de ocorrência”, relatou.
Algum tempo depois, ele afirma ter sido surpreendido com processos criminais relacionados a remessas de drogas enviadas pelos Correios. A ligação com o caso, segundo a investigação, ocorreu após a perícia identificar uma impressão digital dele em uma fita usada na embalagem de maconha.
Du Mato nega qualquer participação no envio das drogas. “Pegaram meu celular e encontraram alguma conversa traficando? Não. Existe alguma prova de que eu cometi crime? Não”, disse.
O advogado dele, Luiz Kevin Barbosa, afirmou que o caso gerou três processos distintos, todos baseados na mesma apreensão de drogas.
Segundo a defesa, as investigações identificaram várias remessas de entorpecentes enviadas pelos Correios e a presença da digital do influenciador em um dos pacotes acabou sendo utilizada para vinculá-lo aos demais.
“A investigação encontrou uma digital dele em um pacote e começaram a usar essa digital para citar ele nos outros processos”, explicou o advogado.
Ainda de acordo com a defesa, Du Mato chegou a ser absolvido em alguns desses processos. Em um deles, decisão recente teria apontado que não havia elementos que comprovassem sequer que ele esteve em agência dos Correios ou teve contato com as drogas apreendidas. “Não tem nada que comprove que ele sequer chegou perto de uma droga”, afirmou o advogado.