O governo dos Estados Unidos anunciou que a Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA) aprovou a leucovorina — medicamento genérico também conhecido como ácido folínico — para uso em pacientes com deficiência cerebral de folato (CFD), condição que pode estar associada a casos de transtorno do espectro autista (TEA).
A decisão chamou a atenção de especialistas pela rapidez do processo de aprovação, considerado atípico para os padrões da agência reguladora americana, tradicionalmente rigorosa. Outro ponto que gerou debate é o fato de que ainda não há consenso científico sobre a eficácia do medicamento no tratamento do autismo.
A leucovorina é um derivado da vitamina B, semelhante ao ácido fólico, e já é utilizada há décadas, principalmente como suporte para reduzir efeitos adversos da quimioterapia. O folato, por sua vez, é essencial para o desenvolvimento neural, e sua deficiência está associada a defeitos congênitos. Por isso, mulheres são orientadas a ingerir ácido fólico antes e durante a gestação.
Segundo o comissário da FDA, Martin Makary, a aprovação se refere especificamente a pacientes com deficiência cerebral de folato, condição que pode ocorrer em uma pequena parcela de pessoas com TEA. Alguns estudos indicam que parte desses pacientes apresenta níveis reduzidos de folato no cérebro, possivelmente por ação de anticorpos que bloqueiam a substância.
No entanto, entidades como a Autism Science Foundation ressaltam que esses anticorpos também podem ser encontrados em familiares não autistas, o que enfraquece a hipótese de uma relação direta de causa e efeito.
Embora pesquisas preliminares tenham apontado possíveis melhoras em alguns casos, cientistas defendem que são necessários estudos mais amplos e conclusivos antes que o medicamento seja considerado uma abordagem consolidada no tratamento do autismo.
O tema também ganhou repercussão após declarações públicas envolvendo o transtorno, reacendendo debates sobre desinformação e a importância de decisões baseadas em evidências científicas.
Fontes:
São Carlos no Toque
G1